quarta-feira, 15 de julho de 2015

Elder Gomes destaca-se nos Crusaders CFA


Jovem do Tarrafal de São Nicolau destaca-se na equipa portuguesa de Futebol Americano: os Crusaders CFA.

Elder Gomes começou a jogar Futebol Americano nos Crusaders CFA, há um ano, e desde cedo que impressionou. Começou a Left Tackle, uma das mais importantes posições do jogo, pois protege o lado que o Quarterback não vê.
 
 
 
 
 
 
Elder Gomes “foi não só um dos melhores rookies, como um dos melhores jogadores da época passada”. Segundo, Júlio Martins, ele é “um jogador com um grande futuro no desporto, e é uma mais-valia do clube e com ele vamos ter um grande futuro”.
 
 

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Barragem de Banca Furada



 
A cerimónia de inauguração da Barragem de Banca Furada decorreu na tarde de Sexta-feira, 26 de junho, na zona da Fajã.

Quanto à infraestrutura ora inaugurada, com 160 metros de cumprimento e 42 de altura, trata-se da barragem mais alta (com maior profundidade) de Cabo Verde, com capacidade para armazenar até 300 mil metros cúbicos de água, permitindo cobrir uma área irrigada de 35 hectares de terreno, beneficiando pelo menos 175 agricultores.
 

Novo Liceu Pedro Corsino de Azevedo



O novo edifício do Liceu Pedro Corsino de Azevedo foi inaugurado no dia 27. A infraestrutura foi financiada pelo Fundo Kuwait e Saudita e pelo Governo de Cabo Verde e possui dez salas de aula, duas salas para formação profissional e cinco laboratórios – Informática, Desenho, Ciências Naturais e Química, Física e Artes Plásticas.

Um bloco administrativo, constituído por uma secretaria, três salas de coordenação pedagógica, uma cantina, sala do diretor, sala de reuniões, gabinete para elementos da equipa de direção, arquivo, um auditório com capacidade para 235 pessoas sentadas, uma biblioteca e um polivalente.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

SUCLA e o seu contributo para desenvolvimento do Tarrafal de São Nicolau


Em 1935, António Assis Cadório e José Loureiro Rabaça desenvolveram uma das mais bem-sucedidas indústrias de Cabo Verde e que resiste ate hoje.
De capital nacional, a Sociedade Ultramarina de Conservas, Lda. (SUCLA), um exemplo de sucesso, totalmente modernizado para atender às exigências internacionais, produz conservas de qualidade.

Para além da conserveira, a SUCLA é uma instituição social, considerado o centro de desenvolvimento do Concelho do Tarrafal de São Nicolau, empregando perto de 200 pessoas directamente e viabilizando os empregos de outras centenas, sendo estes pescadores, vendedores, comerciantes etc.
Através dos vários impostos, cerca de 50% dos rendimentos da SUCLA, entram anualmente nos cofres do estado. É esta uma das suas principais contribuições para o desenvolvimento de Cabo Verde.

 
Tarrafal deve à SUCLA o seu desenvolvimento. Pois até à sua instalação, a povoação conhecia não mais que umas poucas casebres, muito precárias, e pescadores fortuitos (de Palhal e Cabeçalinho) que vinham temporariamente para faina da pesca. Basta ler a apreciação do general Sousa dias, em carta para seu filho, Alberto, aquando da sua passagem por Tarrafal-SN: “O local é simplesmente pavoroso. Tarrafal – misérrima povoação de pescadores, fica situado próximo e ao lado de uma apertada ravina de ásperos e escalvados flancos elevados e de abruptos declives … 3 raquíticas árvores é a única vegetação que ai se encontra. … a misérrima povoação de Tarrafal, uma centena de paupérrimos casebres, dos quais o mais luxuoso “, dispõe de uma estreita cubata junto á porta de entrada. Nenhuma dessas verdadeiras cubatas é caiada, e em todas a cobertura é de colmo […]”, (J. Cabral 2010).


Hoje, a SUCLA é uma empresa de cariz familiar. Desde 1935 sofreu várias transformações: Passou a cariz familiar.
A SUCLA e as suas conservas são hoje uma referência inegável da cabo-verdianidade, as latas de atum da SUCLA viajam para os quatro cantos do mundo.

 
O Atum, o principal produto processado, leva a marca “CADÓRIO”, nome do fundador da fábrica de conservas SUCLA. De fabrico semi-real e processamento com as mais modernas técnicas de conservação, o Atum da SUCLA, conhecido como “Atum de Cabo Verde”, é inigualável no seu sabor.
A SUCLA não fica só por ai com as conservas de atum, há também filetes de cavala, melva, pasto de atum e ração.


Quando muito se fala em promoção do empreendedorismo, vale lembrar que a fábrica SUCLA, nos longínquos anos trinta e quarenta, já promovia emprego e formação a nível local através do financiamento de embarcações artesanais a jovens pescadores. (João Lopes Filho).


Sempre apoiando o desenvolvimento de Tarrafal de São Nicolau, a SUCLA, desde longa data, tem vindo a formar trabalhadores, pescadores, carpinteiros navais etc. Portanto igualmente um pólo educacional do recém-formado Concelho do Tarrafal de São Nicolau.
O antigo gerente e proprietário Joaquim Spencer (Nhô Djack) conta que “a prática de fazer botes, inicialmente foi com tentativa de ajudar os pescadores a caminhar com seus próprios pés em que o processo era feito através da doação de botes aos pescadores e esses ficavam com o compromisso de pagar aos poucos”.


A SUCLA apoia nas actividades sócio culturais. Apoia as escolas do EBI da zona do Município do Tarrafal de São Nicolau com fornecimento de uma boa quantidade de farinha de peixe para alimentação dos alunos. Apoia alguns alunos nos estudos superiores em São Vicente com as propinas, onde é feito uma selecção dos candidatos. Apoia os mais carenciados com os tratamentos médicos, construção das suas casas, alimentação etc… Oferece os seus barcos para evacuação dos doentes com urgências (antigamente era tudo “de borla”, para todas as classes, mas hoje já é estipulado um preço para as que conseguem pagar”. Apoia a escola de formação de base para o futebol, Augusto Almeida, criada pelo Ex- Futebolista Francisco Spencer (mais conhecido por Tchique d´Niquita).


Este ano, por ocasião das comemorações do décimo aniversário da fundação do Município, em agosto, a Câmara Municipal homenageia a Fábrica SUCLA que este ano assinala o 80.º aniversário.


Fundadores da SUCLA

António Assis Cadório, português de Salvaterra de Magos, foi o mentor e fundador da Fábrica SUCLA. Chegou a Cabo Verde para acertar contas com um cliente, a quem forneceu equipamentos de conservas de atum, a família de José Aguiar Nascimento, que tinha tentado instalar uma indústria conserveira em Tarrafal de Monte Trigo Santo Antão. O negocio fracassou e não pode saldar a divida com o fornecedor. Já na posse de seus equipamentos, soube por intermédio de António Pedro Chantre, capitão do barco de nome “vaporinho” que transportava água de Tarrafal Monte Trigo para São Vicente, que em Tarrafal de São Nicolau abundava pescarias próximo da costa, decidiu zarpar para aqui.

José Loureiro Rabaça, natural de Eirô, Portugal, nascido em 20/09/1896, foi um de entre cerca de duas centenas que Salazar deportou para a ilha de São Nicolau.
Encontrava-se na colónia prisional de Tarrafal de São Nicolau, quando Salazar viu-se forçado a desmantela-lo. Aos prisioneiros considerados perigosos ele decretou residência fixa em Cabo Verde. Aos outros, o governo colonial, num gesto de aparente benevolência disponibilizou-se para custear as despesas de repatriamento. Naturalmente aceitaram, sem saber que iriam acabar presos á chegada a Lisboa e encarcerados na prisão de Monsanto.
A quem pretendesse ficar, aqueles que não constituíam perigo e tivessem constituído família, ele exigiu a constituição de depósito e fiança, para a eventualidade de virem a decidir pelo regresso.
Rabaça foi um dos que ficou. Mais por insistência dos pais, que conhecedores de sua estripe, sabiam que dificilmente não se voltaria a meter na política, circunstancia que certamente, resultaria em nova prisão e provavelmente aniquilamento. Rabaça faleceu em Tarrafal de São Nicolau no dia 24/09/1952, com apenas 56 anos.


 

terça-feira, 26 de maio de 2015

Parque Natural do Monte Gordo celebrou o dia Mundial da Biodiversidade

O Parque Natural do Monte Gordo celebrou o dia Mundial da Biodiversidade com a realização da 5.ª Maratona Ecológica – 2015.
 
De forma a assegurar e o uso sustentável dos recursos naturais, ONU decretou o dia 22 de maio como o dia Mundial da Biodiversidade, este ano celebrou-se com o lema “Ano Internacional dos Solos”.
 
 
Para celebrar este dia, o Parque Natural do Monte Gordo realizou, no dia 24 último, domingo, a 5.ª Maratona Ecológica. Visando envolver as pessoas e mostrar-lhes a necessidade de preservar e conservar o património natural.
A passeata contou com a participação de aproximadamente 100 pessoas, divididas em 4 grupos (com guias do Parque Natural do Monte Gordo).
 


 



segunda-feira, 11 de maio de 2015

1460-2015, 555 Anos depois do “Achamento” das ilhas de Cabo Verde – Condições, Significado e Consequências

O fenómeno: Descoberta ou achamento?

Descoberta advém do termo «descobrir» e é utilizado, no contexto da expansão europeia, numa perspetiva eurocêntrica, por que no caso do Brasil, mesmo tendo os navegadores europeus encontrado primitivos povos do território a habitá-lo, consideram-se descobridores.

Achamento é entendido como ação ou efeito de achar, tomado também como descobrimento. Seja um ou outro conceito, encerra uma visão eurocêntrica dos contatos entre a europa e o resto do mundo sendo por isso, (uma e outra perceção do fenómeno), discutíveis.


Os protagonistas, as datas e as hipóteses explicativas mais credíveis que explicam as condições do “Achamento” das ilhas.

1. As condições (a partir de dados do problema e das várias hipóteses de «achamento» das ilhas).

As hipóteses de um conhecimento muito antigo das ilhas.

Há esforços de certos investigadores com tentativas de se ir mais longe nas considerações sobre datas e protagonistas que se envolvem num conhecimento das ilhas muito antes dos portugueses:

A ideia das ilhas de Cabo Verde terem sido conhecidas desde a Antiguidade (Gregos).

A probabilidade de terem sido frequentadas por navegadores árabes também muito antes do Século XV.

A documentação, coligida sobre estas possibilidades é suspeita por que muitas vezes apresentam fortes limitações (BALENO, 2001).

Como não há uma explicação científica credível quanto às possibilidades colocadas…

A tendência é para admitirmos que há um contexto na época moderna (século XV) mais bem estudado, que é o ligado à história da expansão quinhentista europeia (Século XV) onde podemos enquadrar, com mais certezas, a descoberta ou achamento das ilhas de cabo Verde, incluindo a de Santiago.

Nesse contexto e no caso português há todo um esforço, em atingir novas terras no século XV em várias etapas navegando-se no Atlântico:

•1415 -Tomada de Ceuta, importante entreposto comercial no norte da África;1427-Ocupação das ilhas da Madeira e Açores no Atlântico;1434-Chegada ao Cabo Bojador;1445 -Chegada ao Cabo Verde – ponto geog. Próximo do senegal (Vicente Dias);

•1456-58 – Viagens de Cadamosto

•1460-62 – Aportarem da ilha de Santiago e das ilhas mais a oriente e mais a ocidente por António de Noli, Digo Gomes e Diogo Afonso.

•1487 -Transposição do Cabo da Boa esperança (Bartolomeu Dias);1498 – Chegada à Índia (Vasco da Gama) 1499-1500-Viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.

Os protagonistas, as datas e as hipóteses explicativas no contexto expansionista português do século XV

A ordem cronológica dos protagonistas

•Os navegadores mais modernos que, de modo expresso, se incluem como possíveis descobridores da ilha de Santiago e das restantes ilhas de Cabo Verde, no contexto expansionista português, no século XV referem-se, na ordem cronológica, aos nomes de:

a)    Vicente Dias (1445)

b)   Luís de Cadamosto (1456)

c)    Diogo Gomes (1460-62)

d)   António de Noli (1460-62)

e)    Diogo Afonso (1460-62)

•Sobre esses possíveis descobridores, coloca-se a questão de se saber qual deles foi na realidade o primeiro. Pesam as mais variadas razões e contra argumentos a favor de uns e de outros.

•Prevalece até hoje a ausência de opinião unânime sobre esta matéria (datas e prováveis descobridores) entre todos os investigadores que à mesma se têm debruçado.

A)   A hipótese de um descobrimento em 1445 por Vicente Dias:

•Esta hipótese foi colocada por Fontoura da Costa e assenta-se em referências escritas disponíveis, a respeito desse navegador.

•As referencias foram escritas na crónica da Guiné de Gomes Eanes de Azurara onde, o cronista Azurara, dá conta que o mercador/marinheiro Vicente Dias participou na grande expedição organizada à costa da Guiné no ano de 1445.

•Escreve-se ainda que terá navegado, isoladamente e de modo involuntário, durante um lapso de tempo não explícito. Não alude contudo Azurara que nessa navegação tenha, o navegador, avistado qualquer ilha.

Os defensores desta tese sustentam que Vicente dias teria avistado pelo menos uma ilha;

•A ilha a que se reporta é representada confusamente na cartografia da época, «ixola otinticha» -a autêntica ilha (santiago) que os críticos desta tese consideram que a distância apresentada entre a tal ilha e a costa africana, pela sua imprecisão, não parece ter sido a ilha de Santiago. Daí o esforço em ressaltar que esse navegador terá apenas passado à vista uma ilha cabo-verdiana durante o seu afastamento dos outros navios em 1445 e como tal, devia ser considerado como o verdadeiro descobridor do arquipélago nesse ano.

•Apesar de tudo, a cronica de Azurara não faz nenhuma referência a qualquer ilha eventualmente encontrada.

B)   Luís de Cadamosto

•Nas descrições feitas por esse navegador, o mesmo atribui a si mesmo o descobrimento das primeiras ilhas, na sua segunda navegação, integrando as expedições portuguesas à Costa da Guiné em 1456.

•Nas suas descrições Luís de Cadamosto caracteriza as ilhas, onde aportou, com pormenores, aparentemente absurdos, que levaram Fontoura da Costa, corroborado por Luís de Albuquerque, a considerá-los absolutamente improváveis, realçando que se as ilhas orientais tivessem sido descobertas em 1456, Portugal, através de D. Henrique (grande impulsionador das descobertas) as teria mandado povoar imediatamente, pelo menos a maior (ilha de Santiago).

•Pelo que expôs Fontoura da Costa, inclina-se pela dedução de que Cadamosto e seus companheiros não descobriram as ilhas orientais de Cabo Verde, das quais faz parte a ilha de Santiago.


CADAMOSTO, Luís de – Navegações de Luís de Cadamosto. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura MCMXLIV, pp. 70-74.

FONTOURA DA COSTA, A, Cartas das ilhas de Cabo Verde… p. 13.

ALBUQUERQUE, Luís de, O descobrimento das Ilhas de Cabo Verde. In: História Geral de Cabo Verde Vol. I, pp. 31-35


C)    Tese de Diogo Gomes como descobridor

Diogo Gomes reúne defensores a favor da hipótese de ter sido o ele descobridor das ilhas mais oriente, tais como Santiago, mais próximas do continente africano.

Duas narrativas desse navegador referem-se ao descobrimento da Costa da Guiné e das ilhas Canárias, Açores, Madeira e Cabo Verde.

Nas suas descrições, Diogo Gomes afirma que ao navegar pelo largo na companhia de António da Noli, cada um em sua caravela, avistaram ilhas no mar. Depois de dois dias e meio de viagem. Decidiram aproximar-se.

[…] e como a minha caravela era mais veleira do que a outra cheguei primeiro a uma daquelas ilhas. Disse-lhe que queria ser o primeiro a ir a, terra e assim fiz. Não vimos aí sinal algum de homens, e chamamos a ilha de Santiago; assim se chama até hoje […] vimos, em seguida, uma das ilhas Canárias, chamada Palma, e, depois desta fomos à ilha da Madeira. Bem que eu estivesse impaciente [a caminho de Portugal].Um vento “contrairo” levou-me para os Açores. António de Noli porém deixou-se ficar na Madeira; e aproveitando-se do vento mais favorável chegou a Portugal antes de mim. E pediu a el Rei a Capitania da Ilha de Santiago, que eu tinha “descoberto” e el Rei lha deu […].

PEREIRA, Gabriel -As Relações de Diogo Gomes. In: Boletim de Geografia de Lisboa, 17ª Série, nº 5. Lisboa: Imprensa Nacional, 1899, pp.272-28.

Os relatos de Diogo Gomes permitem constatar que terá sido ele quem descobriu, em 1460, possivelmente, a1 de Maio, dia santo de Santiago e S. Filipe, a primeira das Ilhas de Cabo Verde a qual, com os seus companheiros, denominou Santiago.

Na opinião de Fontoura da Costa, este navegador chegou a Portugal a 13 de Novembro de 1460, antes do falecimento, nesse ano, de D. Henrique (grande impulsionador das descobertas). Este não refere em nenhum documento escrito ao feito de Diogo Gomes, não sendo por isso o descobridor oficial, para a coroa portuguesa.

D)   O protagonismo de António de Noli

•São os próprios relatos do navegador atrás mencionado (Diogo Gomes) que revelam o protagonismo de António de Noli que, tal como relatou este, chegou a Portugal antes, apresentou-se ao rei, naturalmente como o descobridor e, como recompensa, obteve a capitania de Santiago, para o seu povoamento e exploração.

[…] Aproveitando-se do vento mais favorável chegou a Portugal antes de mim. E pediu a el Rei a Capitania da Ilha de Santiago, que eu tinha “descoberto” e el Rei lha deu […].

•O relato de João de Barros, Historiador e Escritor Português que viveu entre 1496-1570, publicado por Vitorino Magalhães Godinho testemunha o seguinte:

•[…] Neste mesmo tempo achámos também que se descobriram as ilhas a que ora chamamos do Cabo Verde por António de Nolle, Genovez de nação e homem nobre, que por alguns desgostos da pátria veio a este reino com duas naus e um barinel, em companhia do qual vinha um Bartolomeu de Nolle seu irmão e Rafael de Nolle seu sobrinho. Aos quais o Infante deu licença que fossem descobrir e, partiram da Cidade de Lisboa, foram ter no primeiro dia do mês do Maio à ilha, à qual puseram nome por que a viram em tal dia de Sant’Iago e Sam Felipe, duas que ora têm o nome destes santos […]. O relato de João de Barros contrapõe e confirma as narrativas de Diogo Gomes.

Temos o relato de João de Barros, publicado por Vitorino Magalhães Godinho em: Documentos sobre a expansão portuguesa Vol. III. pp. 288-289.

Do grupo de ilhas mais a oriente às ilhas mais a ocidente

•Perante os dados expostos parece ser lícito, até prova em contrário, considerar António da Noli descobridor oficial da ilha de Santiago e das restantes ilhas do grupo oriental do arquipélago de Cabo Verde companhia de Diogo Gomes – Constatação coletivo da História Geral de Cabo Verde.

•Para as ilhas ao grupo ocidental a documentação régia, também retira quaisquer hesitações acerca do protagonista e consagra esse feito ao escudeiro do Infante D. Fernando, Diogo Afonso, em 1462.

•As ilhas que compõem este grupo a saber: S. Nicolau e os ilhéus (Branco e Razo), S. Vicente e Santo Antão são citados juntamente, com o nome daquele escudeiro, como descobridor, na carta de doação ao Infante D. Fernando em 1462 (29 de Outubro).

O «achamento» deu lugar à colonização

•Na colonização, seguiu os mesmos métodos utilizados nos Açores e na Madeira, ou seja, a divisão das terras em Capitanias, mais tarde aplicada noutras possessões portuguesas, como viria a ser o caso do Brasil.

•A Ilha de Santiago foi assim dividida em duas circunscrições, sendo uma delas a Capitania do Sul, com sede na Ribeira Grande, entregue a António Da Noli para administração e povoamento na qualidade de Capitão Donatário.

•A Capitania Norte, com sede em Alcatrazes, foi entregue nas mesmas condições a Diogo Afonso.

2. Significado do «Achamento» da Ilha de Santiago e das restantes ilhas

Particularmente ligado à ilha de Santiago através da Ribeira Grande…

•Segundo António Correia e Silva, o privilégio de ser Santiago, a pioneira na ocupação das ilhas, deve-se às condições económicas que se mostraram mais favoráveis, nomeadamente, a existência da enseada da Ribeira Grande (com alguma proteção natural) e razoáveis condições para os navios fundearem. Outras condições naturais foram favoráveis à fixação humana como aconteceu em muitas paragens do mundo como é o exemplo da abundância de água nas ribeiras verdejantes nesta parte sul de Santiago.

•Nesta ilha nasceu uma nação que está associada à existência de uma língua comum, dos mesmos costumes, das mesmas características étnico-cultuais, com mesmos hábitos, mesmas tradições e um passado comum.

•Em Santiago, se formou uma cultura: um património de conhecimentos materiais e espirituais em que se dá corpo ao sentir cabo-verdiano que fomos recebendo dos recebeu nossos antepassados, que vem recebendo sucessivas contribuições e transmitido de gerações em gerações. Um património composto por uma língua.

•Na ilha de santiago, se estruturou uma sociedade. Esta nasceu da escravatura introduzida por negreiros europeus, uma faceta da história de Cabo Verde rodeada de traumas e sofrimentos, mas também que deixou heranças que se traduzem, em essência, no sentir cabo-verdiano.

•Na maior ilha de Cabo Verde cimentou a religiosidade do povo cabo-verdiano, traduzida nas fortes tradições católicas. A expressão da profunda religiosidade é espelhada no grande número de edificações sacras (mais de duas dezenas, entre o templo de grande porte que é a sé, uma diversidade de igrejas e capelas bem como construções de suporte administrativo e de prossecução da difusão da fé cristã.

•Durante muito tempo (cerca de duzentos anos) Santiago e Ribeira Grande foi o ponto estratégico de referência nas rotas transatlânticas para o abastecimento das frotas, conserto de navios, descanso da tripulação e obtenção de novos alentos para a prossecução das viagens.

•Desempenhou esta ilha e as restantes o papel de entreposto comercial de escravos e outros produtos de usados no comercio internacional e deram um grande contributo ao mundo, enquanto “laboratório de homens” e difusor de culturas crioulas pelo mundo, na sua vocação para a constituição da diversidade cultural existente hoje no mundo, bem como local de aclimatação de plantas e de adaptação de animais para serem espalhadas noutras paragens.

•Há um papel relevante da Ilha de Santiago e Cabo Verde na projeção de uma cultura nascida da miscigenação pelo mundo, que se forjou primeiro nesta ilha, contribuindo depois para a difusão de culturas crioulas pelo mundo.

•A ilha de Santiago e Cabo Verde constituí a primeira etapa do “Novo Mundo”, ou se quisermos a rampa de lançamento para a conquista do “Novo Mundo” o que é, infelizmente, ignorado e com substanciais perdas para o arquipélago, dado que só por este facto, poderiam estas ilhas despertar mais interesse pelo menos, por parte dos povos cujas parcelas das suas origens aí nasceram

•A ilha de Santiago e Cabo Verde contribuíram desde o século XV para a base de uma visão do mundo na perspetiva cósmica (globalização).
 

3. Consequências

•A Europa, ao se lançar na expansão, contribuiu ainda para se romper com os mistérios relacionados com o desconhecimento do mundo antes do século XV, pois antes desse século via-se no além um complexo de enigmas que não despertou qualquer interesse.

•Os europeus ajudaram na perceção de um Mundo Atlântico que transcende as margens continentais que o delimitam geograficamente, formando uma unidade histórica, ou um sistema, como preferem alguns historiadores, como Pière Chaunu. Um Atlântico pensado como factor de integração e transformação que se projetou até aos nossos dias, potencializando a ideia de rede propiciatória de novas relações entre povos fruto da intensa mobilidade entre as distintas partes do grande mar oceânico.

•A nova perspetiva do atlântico introduzida pelos europeus tornou as histórias emergentes como a nossa mais universal, ajudando na comparação de práticas locais com práticas semelhantes, difusas em outros espaços do globo (Norte/Nordeste brasileiro, por exemplo, e outros espaços do Novo Mundo), a partir do continente africano, com uma forte participação das ilhas de Cabo Verde.

•A ação dos europeus, permitiu o trânsito de culturas, ideias, arte, instituições e mercadorias a partir do século XV, com expressão dessa realidade em Cabo Verde.

•Tais mudanças não se fizeram sem que houvesse confrontos em situações de conflito tal como ocorreu por ocasiões das várias revoltas que tiveram lugar com mais força nesta ilha de Santiago, não tendo promovido, a ação dos europeus, as bases para a saída do subdesenvolvimento em lugares como Cabo Verde.


Texto gentilmente cedido por Lourenço Gomes – Historiador e Docente Universitário.

 
Bibliografia

FAGE J. D. – História da África. Lisboa: Edições 70 1997, pp. 231-281;

Ki-zerbo, Joseph –História da África Negra, Vol I;

Magalhães Godinho, V. em: Documentos sobre a expansão portuguesa Vol. III. pp. 288-289;

PEREIRA, Gabriel -As Relações de Diogo Gomes. In: Boletim de Geografia de Lisboa, 17ª Série, nº 5. Lisboa: Imprensa Nacional, 1899, pp.272-28;

CADAMOSTO, Luís de –Navegações de Luís de Cadamosto. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura MCMXLIV, pp. 70-74;

FONTOURA DA COSTA, A, Cartas das ilhas de Cabo Verde… p. 13;

ALBUQUERQUE, Luís de, O descobrimento das Ilhas de Cabo Verde. In: História Geral de Cabo Verde Vol. I, pp. 31-35;

MAURO Frédéric (1993) A Expansão Europeia Editorial Estampa pp. 77 –94;

CARREIRA, António –Cabo Verde: Formação e Extinção duma sociedade escravocrata. Praia: ICLB, 1983, p. 297;

CORREIA E SILVA, António Leão –Espaço ecologia e economia interna. In: SANTOS, Maria Emília Madeira e ALBUQUERQUE Luís de (Coordenação) –História Geral de Cabo Verde Vol. I Lisboa/Cidade da Praia: Instituto de Investigação Científica Tropical de Portugal/Instituto de Investigação Cultural de Cabo Verde, 2001, pp.180 –183 e 227-236;

SENNA BARCELOS, ChristianoJosé de Senna – Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné Vol. I (Partes I e II, 2ª Edição, com comentários e notas de Daniel Pereira. Praia, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, pp. 21-22;

BALENO, Ilídio – Povoamento e formação de sociedade. In: SANTOS, Maria Emília Madeira e Albuquerque Luís de (Coordenação) -História Geral de Cabo Verde VolI. Lisboa/Praia: Instituto de Investigação Científica Tropical de Portugal/DirecçãoGeral do Património Cultural de Cabo Verde, 1991. p. 158;

terça-feira, 5 de maio de 2015

Patchik bate Record de golos numa só época


Patchik é o melhor marcador de sempre numa época.

O jovem tarrafalense, do Futebol Clube Ultramarina, ultrapassou na quinta-feira, 30 de abril, um recorde de golos marcados no campeonato Regional de São Nicolau numa só época.

Os seis golos apontados na vitória frente ao Futebol Clube do Talho, dois dos quais de grande penalidade, colocaram Patchik na história do futebol de São Nicolau: o jogador do Futebol Clube Ultramarina bateu o recorde de golos marcados numa temporada, marcando 24 golos em 14 jogos.

Ora com isto, Patchik ultrapassou um recorde de Gerson Lopes, que marcou 20 golos na época 2012/2013.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A equipa do Futebol Clube Ultramarina sagrou-se campeã regional de Futebol, época 2014/2015


A equipa do Futebol Clube Ultramarina sagrou-se campeã regional de Futebol, época 2014/2015, neste fim-de-semana, frente ao Sport Clube Atlético. A equipa do Tarrafal-SN venceu por 2 a 1.
 
F.C. Ultramarina inaugurou o marcador aos 6mn por intermédio de Patchick. A equipa do S.C. Atlético equilibrou o jogo e Bilico, aos 23mn, fez o golo de empate. No primeiro lance da segunda parte, aos 46mn, Djassa ofereceu o golo da vitória a Patchick.


O jogo entre estas duas equipas, para além de ser o clássico da Ilha de São Nicolau, era o jogo do título, colocou frente a frente o Primeiro e o segundo classificado.
O mesmo foi dirigido por Sérgio Gomes, sendo os auxiliares José Silva e Carlos Cosme e 4.º Árbitro João Silva.
 


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sodad, Festival d’ Morna 2015


O cartaz deste ano conta com artistas convidados de São Nicolau, Sal, Boa Vista, São Vicente e Santiago (Praia, São Domingos e Tarrafal) e a programação acontece na sexta-feira e no sábado.

No dia 10, haverá uma conferência versando a Morna enquanto candidata a Património da Humanidade, e que resulta de uma parceria com o Ministério da Cultura, um dos parceiros desta iniciativa que já vai na sua terceira edição, e que se apresenta como um produto cultural de excelência.

Ainda na sexta-feira, a Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau vai inaugurar o pórtico junto à Cancela de Praia Branca, devolvendo àquela zona uma ‘peça” da sua história. A Cancela foi toda ela remodelada, ganhando maior qualidade e estética.

No sábado, a música sobe ao palco, com início marcado para as 19 horas, seguindo cerca de quatro horas de desfile de várias vozes da nossa música.
 
Fonte: www.cmtsn.cv
 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Consulta pública para localização do espaço para construção do Paços do Concelho

A Câmara Municipal iniciou, terça-feira, 17, uma consulta pública para recolher subsídios sobre a melhor localização para construir o edifício do Paços do Concelho

O Presidente José Freitas de Brito explica que a ideia é “envolver” o maior número possível de Munícipes na tomada de decisão numa infraestrutura “muito importante” para o Concelho.

A consulta pública para a localização do Paços do Concelho iniciou-se na terça-feira, 17, numa sessão no Centro Cultural e prolonga-se até ao dia 31 do corrente mês, tempo suficiente para recolher subsídios dos diversos setores da sociedade sobre o assunto.

A Câmara Municipal identificou três espaços e é sobre estas áreas que quer ouvir a opinião da sociedade civil.
 

1) O largo do Cimentinho, junto ao Serviço Autónomo de Água, com área de cerca de 500m2;

2) O largo atrás da oficina da Igreja Católica, na Telha, rua Padre Gesualdo, com área de 2.271m2.
 
3) O atual Estaleiro Municipal, junto ao Estádio Municipal, com área de 2.889m2.




 Até ao dia 31, das 8h00 às 16h00, de segunda a sexta-feira, as propostas estarão à consulta no Gabinete Técnico e Fiscalização da Câmara Municipal, no Centro Cultural. As mesmas propostas  estão disponíveis nas plataformas digitais da Câmara Municipal.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Nill Almey lança “Princip sem Fim”


“Princip sem Fim” é o primeiro disco do jovem tarrafalense, Nill Almey (Nilton Almeida).

O lançamento está programado para Março, na Cidade do Tarrafal de São Nicolau. O irmão, Revan Almeida produziu este CD de 10 músicas que navega em ritmo Hip Pop.

Neste disco, também, participam outros jovens talentos do Município do Tarrafal-SN: Revan, Kénio, Ely, Titiana, DK e Sams.
 
 
De forma especial, o jovem artista agradece o irmão Revan Almeida que “sem ele seria impossível este trabalho”.


O trabalho está à venda por um preço simbólico – apenas 500$00.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Calendário Regional de Futebol de São Nicolau 2014_2015

O Campeonato de Futebol da Associação Regional de Futebol de São Nicolau inicia-se este fim-de-semana.
Os jogos, desta jornada, disputam-se todos no Estádio Di Deus, Município de Ribeira Brava.
A Época termina no dia 3 de maio, uma semana antes de iniciar o Campeonato Nacional.
No Nacional, o campeão de São Nicolau defrontará os representantes de Santiago Sul, Santiago Norte, Brava, Mindelense (Campeão Nacional) e do Sal.

 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Futebol Clube Ultramarina conquista torneio de abertura, época 2014/2015


A equipa do Futebol Clube Ultramarina conquistou torneio de abertura, época 2014/2015. 

Foi na penúltima jornada, 6.º, que tudo ficou decidido após a equipa da Cidade do Tarrafal-SN vencer, no Estádio Orlando Rodrigues, o Belo Horizonte de Juncalinho por duas bolas a zero. Ambos os golos foram marcados por Patchick.
 
 

A equipa do F.C. Ultramarina aproveitou o empate entre o C.D. Ribeira Brava frente e o S.C. Atlético, a uma bola, para conquistar o torneio de abertura a uma jornada do fim.

 

Resultados da 6.ª Jornada:
F.C. Talho 1 - 2 F.C Praia Branca
Ribeira Brava 1 - 1 S.C. Atlético

Ajatsn 2 -1 A.A. Preguiça
Futebol Clube Ultramarina 2- 0 Belo Horizonte
AJAT-SN 2 – 1 Preguiça
Ultramarina 2 – 0 Belo Horizonte
                              

Resultados da 7ª Jornada
F.C. Belo Horizonte 1 -1 S.C. Atlético
F.C. Talho 0 – 2

P. Branca 3 – 0 R. Brava
Ultramarina 0 – 0 Preguiça

 

Classificação Final
1.º - Futebol Clube Ultramarina - 17 Pts
2.º - F.C Praia Branca - 13 Pts
3.º - Ribeira Brava - 11 Pts
4.º - S.C. Atlético - 10 Pts...
5º - Ajatsn - 9 Pts
6º A.A. Preguiça 7
7º - F.C. Belo Horizonte - 5 Pts
8º - FC Talho - 1 Pt
5.º AJAT-SN - 9
6.º AA Preguiça – 7
7.º Belo Horizonte - 5
8.º Talho – 1