terça-feira, 26 de maio de 2015

Parque Natural do Monte Gordo celebrou o dia Mundial da Biodiversidade

O Parque Natural do Monte Gordo celebrou o dia Mundial da Biodiversidade com a realização da 5.ª Maratona Ecológica – 2015.
 
De forma a assegurar e o uso sustentável dos recursos naturais, ONU decretou o dia 22 de maio como o dia Mundial da Biodiversidade, este ano celebrou-se com o lema “Ano Internacional dos Solos”.
 
 
Para celebrar este dia, o Parque Natural do Monte Gordo realizou, no dia 24 último, domingo, a 5.ª Maratona Ecológica. Visando envolver as pessoas e mostrar-lhes a necessidade de preservar e conservar o património natural.
A passeata contou com a participação de aproximadamente 100 pessoas, divididas em 4 grupos (com guias do Parque Natural do Monte Gordo).
 


 



segunda-feira, 11 de maio de 2015

1460-2015, 555 Anos depois do “Achamento” das ilhas de Cabo Verde – Condições, Significado e Consequências

O fenómeno: Descoberta ou achamento?

Descoberta advém do termo «descobrir» e é utilizado, no contexto da expansão europeia, numa perspetiva eurocêntrica, por que no caso do Brasil, mesmo tendo os navegadores europeus encontrado primitivos povos do território a habitá-lo, consideram-se descobridores.

Achamento é entendido como ação ou efeito de achar, tomado também como descobrimento. Seja um ou outro conceito, encerra uma visão eurocêntrica dos contatos entre a europa e o resto do mundo sendo por isso, (uma e outra perceção do fenómeno), discutíveis.


Os protagonistas, as datas e as hipóteses explicativas mais credíveis que explicam as condições do “Achamento” das ilhas.

1. As condições (a partir de dados do problema e das várias hipóteses de «achamento» das ilhas).

As hipóteses de um conhecimento muito antigo das ilhas.

Há esforços de certos investigadores com tentativas de se ir mais longe nas considerações sobre datas e protagonistas que se envolvem num conhecimento das ilhas muito antes dos portugueses:

A ideia das ilhas de Cabo Verde terem sido conhecidas desde a Antiguidade (Gregos).

A probabilidade de terem sido frequentadas por navegadores árabes também muito antes do Século XV.

A documentação, coligida sobre estas possibilidades é suspeita por que muitas vezes apresentam fortes limitações (BALENO, 2001).

Como não há uma explicação científica credível quanto às possibilidades colocadas…

A tendência é para admitirmos que há um contexto na época moderna (século XV) mais bem estudado, que é o ligado à história da expansão quinhentista europeia (Século XV) onde podemos enquadrar, com mais certezas, a descoberta ou achamento das ilhas de cabo Verde, incluindo a de Santiago.

Nesse contexto e no caso português há todo um esforço, em atingir novas terras no século XV em várias etapas navegando-se no Atlântico:

•1415 -Tomada de Ceuta, importante entreposto comercial no norte da África;1427-Ocupação das ilhas da Madeira e Açores no Atlântico;1434-Chegada ao Cabo Bojador;1445 -Chegada ao Cabo Verde – ponto geog. Próximo do senegal (Vicente Dias);

•1456-58 – Viagens de Cadamosto

•1460-62 – Aportarem da ilha de Santiago e das ilhas mais a oriente e mais a ocidente por António de Noli, Digo Gomes e Diogo Afonso.

•1487 -Transposição do Cabo da Boa esperança (Bartolomeu Dias);1498 – Chegada à Índia (Vasco da Gama) 1499-1500-Viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil.

Os protagonistas, as datas e as hipóteses explicativas no contexto expansionista português do século XV

A ordem cronológica dos protagonistas

Os navegadores mais modernos que, de modo expresso, se incluem como possíveis descobridores da ilha de Santiago e das restantes ilhas de Cabo Verde, no contexto expansionista português, no século XV referem-se, na ordem cronológica, aos nomes de:

a)    Vicente Dias (1445)

b)   Luís de Cadamosto (1456)

c)    Diogo Gomes (1460-62)

d)   António de Noli (1460-62)

e)    Diogo Afonso (1460-62)

Sobre esses possíveis descobridores, coloca-se a questão de se saber qual deles foi na realidade o primeiro. Pesam as mais variadas razões e contra argumentos a favor de uns e de outros.

Prevalece até hoje a ausência de opinião unânime sobre esta matéria (datas e prováveis descobridores) entre todos os investigadores que à mesma se têm debruçado.

A)   A hipótese de um descobrimento em 1445 por Vicente Dias:

•Esta hipótese foi colocada por Fontoura da Costa e assenta-se em referências escritas disponíveis, a respeito desse navegador.

•As referencias foram escritas na crónica da Guiné de Gomes Eanes de Azurara onde, o cronista Azurara, dá conta que o mercador/marinheiro Vicente Dias participou na grande expedição organizada à costa da Guiné no ano de 1445.

•Escreve-se ainda que terá navegado, isoladamente e de modo involuntário, durante um lapso de tempo não explícito. Não alude contudo Azurara que nessa navegação tenha, o navegador, avistado qualquer ilha.

Os defensores desta tese sustentam que Vicente dias teria avistado pelo menos uma ilha;

A ilha a que se reporta é representada confusamente na cartografia da época, «ixola otinticha» -a autêntica ilha (santiago) que os críticos desta tese consideram que a distância apresentada entre a tal ilha e a costa africana, pela sua imprecisão, não parece ter sido a ilha de Santiago. Daí o esforço em ressaltar que esse navegador terá apenas passado à vista uma ilha cabo-verdiana durante o seu afastamento dos outros navios em 1445 e como tal, devia ser considerado como o verdadeiro descobridor do arquipélago nesse ano.

•Apesar de tudo, a cronica de Azurara não faz nenhuma referência a qualquer ilha eventualmente encontrada.

B)   Luís de Cadamosto

•Nas descrições feitas por esse navegador, o mesmo atribui a si mesmo o descobrimento das primeiras ilhas, na sua segunda navegação, integrando as expedições portuguesas à Costa da Guiné em 1456.

•Nas suas descrições Luís de Cadamosto caracteriza as ilhas, onde aportou, com pormenores, aparentemente absurdos, que levaram Fontoura da Costa, corroborado por Luís de Albuquerque, a considerá-los absolutamente improváveis, realçando que se as ilhas orientais tivessem sido descobertas em 1456, Portugal, através de D. Henrique (grande impulsionador das descobertas) as teria mandado povoar imediatamente, pelo menos a maior (ilha de Santiago).

•Pelo que expôs Fontoura da Costa, inclina-se pela dedução de que Cadamosto e seus companheiros não descobriram as ilhas orientais de Cabo Verde, das quais faz parte a ilha de Santiago.


CADAMOSTO, Luís de – Navegações de Luís de Cadamosto. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura MCMXLIV, pp. 70-74.

FONTOURA DA COSTA, A, Cartas das ilhas de Cabo Verde… p. 13.

ALBUQUERQUE, Luís de, O descobrimento das Ilhas de Cabo Verde. In: História Geral de Cabo Verde Vol. I, pp. 31-35


C)    Tese de Diogo Gomes como descobridor

Diogo Gomes reúne defensores a favor da hipótese de ter sido o ele descobridor das ilhas mais oriente, tais como Santiago, mais próximas do continente africano.

Duas narrativas desse navegador referem-se ao descobrimento da Costa da Guiné e das ilhas Canárias, Açores, Madeira e Cabo Verde.

Nas suas descrições, Diogo Gomes afirma que ao navegar pelo largo na companhia de António da Noli, cada um em sua caravela, avistaram ilhas no mar. Depois de dois dias e meio de viagem. Decidiram aproximar-se.

[…] e como a minha caravela era mais veleira do que a outra cheguei primeiro a uma daquelas ilhas. Disse-lhe que queria ser o primeiro a ir a, terra e assim fiz. Não vimos aí sinal algum de homens, e chamamos a ilha de Santiago; assim se chama até hoje […] vimos, em seguida, uma das ilhas Canárias, chamada Palma, e, depois desta fomos à ilha da Madeira. Bem que eu estivesse impaciente [a caminho de Portugal].Um vento “contrairo” levou-me para os Açores. António de Noli porém deixou-se ficar na Madeira; e aproveitando-se do vento mais favorável chegou a Portugal antes de mim. E pediu a el Rei a Capitania da Ilha de Santiago, que eu tinha “descoberto” e el Rei lha deu […].

PEREIRA, Gabriel -As Relações de Diogo Gomes. In: Boletim de Geografia de Lisboa, 17ª Série, nº 5. Lisboa: Imprensa Nacional, 1899, pp.272-28.

Os relatos de Diogo Gomes permitem constatar que terá sido ele quem descobriu, em 1460, possivelmente, a1 de Maio, dia santo de Santiago e S. Filipe, a primeira das Ilhas de Cabo Verde a qual, com os seus companheiros, denominou Santiago.

Na opinião de Fontoura da Costa, este navegador chegou a Portugal a 13 de Novembro de 1460, antes do falecimento, nesse ano, de D. Henrique (grande impulsionador das descobertas). Este não refere em nenhum documento escrito ao feito de Diogo Gomes, não sendo por isso o descobridor oficial, para a coroa portuguesa.

D)   O protagonismo de António de Noli

São os próprios relatos do navegador atrás mencionado (Diogo Gomes) que revelam o protagonismo de António de Noli que, tal como relatou este, chegou a Portugal antes, apresentou-se ao rei, naturalmente como o descobridor e, como recompensa, obteve a capitania de Santiago, para o seu povoamento e exploração.

[…] Aproveitando-se do vento mais favorável chegou a Portugal antes de mim. E pediu a el Rei a Capitania da Ilha de Santiago, que eu tinha “descoberto” e el Rei lha deu […].

•O relato de João de Barros, Historiador e Escritor Português que viveu entre 1496-1570, publicado por Vitorino Magalhães Godinho testemunha o seguinte:

•[…] Neste mesmo tempo achámos também que se descobriram as ilhas a que ora chamamos do Cabo Verde por António de Nolle, Genovez de nação e homem nobre, que por alguns desgostos da pátria veio a este reino com duas naus e um barinel, em companhia do qual vinha um Bartolomeu de Nolle seu irmão e Rafael de Nolle seu sobrinho. Aos quais o Infante deu licença que fossem descobrir e, partiram da Cidade de Lisboa, foram ter no primeiro dia do mês do Maio à ilha, à qual puseram nome por que a viram em tal dia de Sant’Iago e Sam Felipe, duas que ora têm o nome destes santos […]. O relato de João de Barros contrapõe e confirma as narrativas de Diogo Gomes.

Temos o relato de João de Barros, publicado por Vitorino Magalhães Godinho em: Documentos sobre a expansão portuguesa Vol. III. pp. 288-289.

Do grupo de ilhas mais a oriente às ilhas mais a ocidente

•Perante os dados expostos parece ser lícito, até prova em contrário, considerar António da Noli descobridor oficial da ilha de Santiago e das restantes ilhas do grupo oriental do arquipélago de Cabo Verde companhia de Diogo Gomes – Constatação coletivo da História Geral de Cabo Verde.

•Para as ilhas ao grupo ocidental a documentação régia, também retira quaisquer hesitações acerca do protagonista e consagra esse feito ao escudeiro do Infante D. Fernando, Diogo Afonso, em 1462.

•As ilhas que compõem este grupo a saber: S. Nicolau e os ilhéus (Branco e Razo), S. Vicente e Santo Antão são citados juntamente, com o nome daquele escudeiro, como descobridor, na carta de doação ao Infante D. Fernando em 1462 (29 de Outubro).

O «achamento» deu lugar à colonização

•Na colonização, seguiu os mesmos métodos utilizados nos Açores e na Madeira, ou seja, a divisão das terras em Capitanias, mais tarde aplicada noutras possessões portuguesas, como viria a ser o caso do Brasil.

•A Ilha de Santiago foi assim dividida em duas circunscrições, sendo uma delas a Capitania do Sul, com sede na Ribeira Grande, entregue a António Da Noli para administração e povoamento na qualidade de Capitão Donatário.

•A Capitania Norte, com sede em Alcatrazes, foi entregue nas mesmas condições a Diogo Afonso.

2. Significado do «Achamento» da Ilha de Santiago e das restantes ilhas

Particularmente ligado à ilha de Santiago através da Ribeira Grande…

•Segundo António Correia e Silva, o privilégio de ser Santiago, a pioneira na ocupação das ilhas, deve-se às condições económicas que se mostraram mais favoráveis, nomeadamente, a existência da enseada da Ribeira Grande (com alguma proteção natural) e razoáveis condições para os navios fundearem. Outras condições naturais foram favoráveis à fixação humana como aconteceu em muitas paragens do mundo como é o exemplo da abundância de água nas ribeiras verdejantes nesta parte sul de Santiago.

Nesta ilha nasceu uma nação que está associada à existência de uma língua comum, dos mesmos costumes, das mesmas características étnico-cultuais, com mesmos hábitos, mesmas tradições e um passado comum.

Em Santiago, se formou uma cultura: um património de conhecimentos materiais e espirituais em que se dá corpo ao sentir cabo-verdiano que fomos recebendo dos recebeu nossos antepassados, que vem recebendo sucessivas contribuições e transmitido de gerações em gerações. Um património composto por uma língua.

Na ilha de santiago, se estruturou uma sociedade. Esta nasceu da escravatura introduzida por negreiros europeus, uma faceta da história de Cabo Verde rodeada de traumas e sofrimentos, mas também que deixou heranças que se traduzem, em essência, no sentir cabo-verdiano.

Na maior ilha de Cabo Verde cimentou a religiosidade do povo cabo-verdiano, traduzida nas fortes tradições católicas. A expressão da profunda religiosidade é espelhada no grande número de edificações sacras (mais de duas dezenas, entre o templo de grande porte que é a sé, uma diversidade de igrejas e capelas bem como construções de suporte administrativo e de prossecução da difusão da fé cristã.

•Durante muito tempo (cerca de duzentos anos) Santiago e Ribeira Grande foi o ponto estratégico de referência nas rotas transatlânticas para o abastecimento das frotas, conserto de navios, descanso da tripulação e obtenção de novos alentos para a prossecução das viagens.

•Desempenhou esta ilha e as restantes o papel de entreposto comercial de escravos e outros produtos de usados no comercio internacional e deram um grande contributo ao mundo, enquanto “laboratório de homens” e difusor de culturas crioulas pelo mundo, na sua vocação para a constituição da diversidade cultural existente hoje no mundo, bem como local de aclimatação de plantas e de adaptação de animais para serem espalhadas noutras paragens.

Há um papel relevante da Ilha de Santiago e Cabo Verde na projeção de uma cultura nascida da miscigenação pelo mundo, que se forjou primeiro nesta ilha, contribuindo depois para a difusão de culturas crioulas pelo mundo.

A ilha de Santiago e Cabo Verde constituí a primeira etapa do “Novo Mundo”, ou se quisermos a rampa de lançamento para a conquista do “Novo Mundo” o que é, infelizmente, ignorado e com substanciais perdas para o arquipélago, dado que só por este facto, poderiam estas ilhas despertar mais interesse pelo menos, por parte dos povos cujas parcelas das suas origens aí nasceram

A ilha de Santiago e Cabo Verde contribuíram desde o século XV para a base de uma visão do mundo na perspetiva cósmica (globalização).
 

3. Consequências

A Europa, ao se lançar na expansão, contribuiu ainda para se romper com os mistérios relacionados com o desconhecimento do mundo antes do século XV, pois antes desse século via-se no além um complexo de enigmas que não despertou qualquer interesse.

Os europeus ajudaram na perceção de um Mundo Atlântico que transcende as margens continentais que o delimitam geograficamente, formando uma unidade histórica, ou um sistema, como preferem alguns historiadores, como Pière Chaunu. Um Atlântico pensado como factor de integração e transformação que se projetou até aos nossos dias, potencializando a ideia de rede propiciatória de novas relações entre povos fruto da intensa mobilidade entre as distintas partes do grande mar oceânico.

•A nova perspetiva do atlântico introduzida pelos europeus tornou as histórias emergentes como a nossa mais universal, ajudando na comparação de práticas locais com práticas semelhantes, difusas em outros espaços do globo (Norte/Nordeste brasileiro, por exemplo, e outros espaços do Novo Mundo), a partir do continente africano, com uma forte participação das ilhas de Cabo Verde.

•A ação dos europeus, permitiu o trânsito de culturas, ideias, arte, instituições e mercadorias a partir do século XV, com expressão dessa realidade em Cabo Verde.

•Tais mudanças não se fizeram sem que houvesse confrontos em situações de conflito tal como ocorreu por ocasiões das várias revoltas que tiveram lugar com mais força nesta ilha de Santiago, não tendo promovido, a ação dos europeus, as bases para a saída do subdesenvolvimento em lugares como Cabo Verde.


Texto gentilmente cedido por Lourenço Gomes – Historiador e Docente Universitário.

 
Bibliografia

FAGE J. D. – História da África. Lisboa: Edições 70 1997, pp. 231-281;

Ki-zerbo, Joseph –História da África Negra, Vol I;

Magalhães Godinho, V. em: Documentos sobre a expansão portuguesa Vol. III. pp. 288-289;

PEREIRA, Gabriel -As Relações de Diogo Gomes. In: Boletim de Geografia de Lisboa, 17ª Série, nº 5. Lisboa: Imprensa Nacional, 1899, pp.272-28;

CADAMOSTO, Luís de –Navegações de Luís de Cadamosto. Lisboa: Instituto para a Alta Cultura MCMXLIV, pp. 70-74;

FONTOURA DA COSTA, A, Cartas das ilhas de Cabo Verde… p. 13;

ALBUQUERQUE, Luís de, O descobrimento das Ilhas de Cabo Verde. In: História Geral de Cabo Verde Vol. I, pp. 31-35;

MAURO Frédéric (1993) A Expansão Europeia Editorial Estampa pp. 77 –94;

CARREIRA, António –Cabo Verde: Formação e Extinção duma sociedade escravocrata. Praia: ICLB, 1983, p. 297;

CORREIA E SILVA, António Leão –Espaço ecologia e economia interna. In: SANTOS, Maria Emília Madeira e ALBUQUERQUE Luís de (Coordenação) –História Geral de Cabo Verde Vol. I Lisboa/Cidade da Praia: Instituto de Investigação Científica Tropical de Portugal/Instituto de Investigação Cultural de Cabo Verde, 2001, pp.180 –183 e 227-236;

SENNA BARCELOS, ChristianoJosé de Senna – Subsídios para a História de Cabo Verde e Guiné Vol. I (Partes I e II, 2ª Edição, com comentários e notas de Daniel Pereira. Praia, Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, pp. 21-22;

BALENO, Ilídio – Povoamento e formação de sociedade. In: SANTOS, Maria Emília Madeira e Albuquerque Luís de (Coordenação) -História Geral de Cabo Verde VolI. Lisboa/Praia: Instituto de Investigação Científica Tropical de Portugal/DirecçãoGeral do Património Cultural de Cabo Verde, 1991. p. 158;

terça-feira, 5 de maio de 2015

Patchik bate Record de golos numa só época


Patchik é o melhor marcador de sempre numa época.

O jovem tarrafalense, do Futebol Clube Ultramarina, ultrapassou na quinta-feira, 30 de abril, um recorde de golos marcados no campeonato Regional de São Nicolau numa só época.

Os seis golos apontados na vitória frente ao Futebol Clube do Talho, dois dos quais de grande penalidade, colocaram Patchik na história do futebol de São Nicolau: o jogador do Futebol Clube Ultramarina bateu o recorde de golos marcados numa temporada, marcando 24 golos em 14 jogos.

Ora com isto, Patchik ultrapassou um recorde de Gerson Lopes, que marcou 20 golos na época 2012/2013.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

A equipa do Futebol Clube Ultramarina sagrou-se campeã regional de Futebol, época 2014/2015


A equipa do Futebol Clube Ultramarina sagrou-se campeã regional de Futebol, época 2014/2015, neste fim-de-semana, frente ao Sport Clube Atlético. A equipa do Tarrafal-SN venceu por 2 a 1.
 
F.C. Ultramarina inaugurou o marcador aos 6mn por intermédio de Patchick. A equipa do S.C. Atlético equilibrou o jogo e Bilico, aos 23mn, fez o golo de empate. No primeiro lance da segunda parte, aos 46mn, Djassa ofereceu o golo da vitória a Patchick.


O jogo entre estas duas equipas, para além de ser o clássico da Ilha de São Nicolau, era o jogo do título, colocou frente a frente o Primeiro e o segundo classificado.
O mesmo foi dirigido por Sérgio Gomes, sendo os auxiliares José Silva e Carlos Cosme e 4.º Árbitro João Silva.
 


quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sodad, Festival d’ Morna 2015


O cartaz deste ano conta com artistas convidados de São Nicolau, Sal, Boa Vista, São Vicente e Santiago (Praia, São Domingos e Tarrafal) e a programação acontece na sexta-feira e no sábado.

No dia 10, haverá uma conferência versando a Morna enquanto candidata a Património da Humanidade, e que resulta de uma parceria com o Ministério da Cultura, um dos parceiros desta iniciativa que já vai na sua terceira edição, e que se apresenta como um produto cultural de excelência.

Ainda na sexta-feira, a Câmara Municipal do Tarrafal de São Nicolau vai inaugurar o pórtico junto à Cancela de Praia Branca, devolvendo àquela zona uma ‘peça” da sua história. A Cancela foi toda ela remodelada, ganhando maior qualidade e estética.

No sábado, a música sobe ao palco, com início marcado para as 19 horas, seguindo cerca de quatro horas de desfile de várias vozes da nossa música.
 
Fonte: www.cmtsn.cv
 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Consulta pública para localização do espaço para construção do Paços do Concelho

A Câmara Municipal iniciou, terça-feira, 17, uma consulta pública para recolher subsídios sobre a melhor localização para construir o edifício do Paços do Concelho

O Presidente José Freitas de Brito explica que a ideia é “envolver” o maior número possível de Munícipes na tomada de decisão numa infraestrutura “muito importante” para o Concelho.

A consulta pública para a localização do Paços do Concelho iniciou-se na terça-feira, 17, numa sessão no Centro Cultural e prolonga-se até ao dia 31 do corrente mês, tempo suficiente para recolher subsídios dos diversos setores da sociedade sobre o assunto.

A Câmara Municipal identificou três espaços e é sobre estas áreas que quer ouvir a opinião da sociedade civil.
 

1) O largo do Cimentinho, junto ao Serviço Autónomo de Água, com área de cerca de 500m2;

2) O largo atrás da oficina da Igreja Católica, na Telha, rua Padre Gesualdo, com área de 2.271m2.
 
3) O atual Estaleiro Municipal, junto ao Estádio Municipal, com área de 2.889m2.




 Até ao dia 31, das 8h00 às 16h00, de segunda a sexta-feira, as propostas estarão à consulta no Gabinete Técnico e Fiscalização da Câmara Municipal, no Centro Cultural. As mesmas propostas  estão disponíveis nas plataformas digitais da Câmara Municipal.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Nill Almey lança “Princip sem Fim”


“Princip sem Fim” é o primeiro disco do jovem tarrafalense, Nill Almey (Nilton Almeida).

O lançamento está programado para Março, na Cidade do Tarrafal de São Nicolau. O irmão, Revan Almeida produziu este CD de 10 músicas que navega em ritmo Hip Pop.

Neste disco, também, participam outros jovens talentos do Município do Tarrafal-SN: Revan, Kénio, Ely, Titiana, DK e Sams.
 
 
De forma especial, o jovem artista agradece o irmão Revan Almeida que “sem ele seria impossível este trabalho”.


O trabalho está à venda por um preço simbólico – apenas 500$00.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Calendário Regional de Futebol de São Nicolau 2014_2015

O Campeonato de Futebol da Associação Regional de Futebol de São Nicolau inicia-se este fim-de-semana.
Os jogos, desta jornada, disputam-se todos no Estádio Di Deus, Município de Ribeira Brava.
A Época termina no dia 3 de maio, uma semana antes de iniciar o Campeonato Nacional.
No Nacional, o campeão de São Nicolau defrontará os representantes de Santiago Sul, Santiago Norte, Brava, Mindelense (Campeão Nacional) e do Sal.

 


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Futebol Clube Ultramarina conquista torneio de abertura, época 2014/2015


A equipa do Futebol Clube Ultramarina conquistou torneio de abertura, época 2014/2015. 

Foi na penúltima jornada, 6.º, que tudo ficou decidido após a equipa da Cidade do Tarrafal-SN vencer, no Estádio Orlando Rodrigues, o Belo Horizonte de Juncalinho por duas bolas a zero. Ambos os golos foram marcados por Patchick.
 
 

A equipa do F.C. Ultramarina aproveitou o empate entre o C.D. Ribeira Brava frente e o S.C. Atlético, a uma bola, para conquistar o torneio de abertura a uma jornada do fim.

 

Resultados da 6.ª Jornada:
F.C. Talho 1 - 2 F.C Praia Branca
Ribeira Brava 1 - 1 S.C. Atlético

Ajatsn 2 -1 A.A. Preguiça
Futebol Clube Ultramarina 2- 0 Belo Horizonte
AJAT-SN 2 – 1 Preguiça
Ultramarina 2 – 0 Belo Horizonte
                              

Resultados da 7ª Jornada
F.C. Belo Horizonte 1 -1 S.C. Atlético
F.C. Talho 0 – 2

P. Branca 3 – 0 R. Brava
Ultramarina 0 – 0 Preguiça

 

Classificação Final
1.º - Futebol Clube Ultramarina - 17 Pts
2.º - F.C Praia Branca - 13 Pts
3.º - Ribeira Brava - 11 Pts
4.º - S.C. Atlético - 10 Pts...
5º - Ajatsn - 9 Pts
6º A.A. Preguiça 7
7º - F.C. Belo Horizonte - 5 Pts
8º - FC Talho - 1 Pt
5.º AJAT-SN - 9
6.º AA Preguiça – 7
7.º Belo Horizonte - 5
8.º Talho – 1

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Criação do Clube de Amigos do Museu da Pesca de Cabo Verde


Sábado, dia 10, foi dado um passo muito importante para o Museu de Pesca - criação do BLACKFISH - Clube de Amigos do Museu Nacional da Pesca.
 
 

 
 
Esta associação, que funcionará sob o formato de “Clube de Amigos”, fica denominada BLACKFISH-Clube de Amigos do Museu da Pesca, com sede em Tarrafal da ilha de São Nicolau.

O Museu da Pesca no Tarrafal — em processo de instalação é já uma realidade irreversível. Trata-se de uma instituição público-privada – IIPC/Ministério da Cultura e apoiada pelo M_EIA, Instituto Universitário de Arte, Tecnologia e Cultura. Ligado intrinsecamente à história da fábrica SUCLA desde a sua fundação aos dias de hoje (base de seu acervo e património), o museu pretende, através de suas atividades e programas, promover o desenvolvimento cultural, educativo e científico da ilha de São Nicolau e sua população.

Um marco na preservação e perpetuação das memórias da pesca em Cabo Verde desde dos primórdios de seu surgimento até ao presente. Igualmente, supomos, um atrativo, ampliação da oferta turística, mais um motivo de interesse e chamariz para visita à ilha de São Nicolau.

No desenho conceptual do Museu da Pesca entendeuse autonomizar esses serviços através de um órgão legalmente constituído que ora se propõe: uma associação de amigos do museu, que terá como objetivo geral a defesa, promoção e apoio ao museu na sua missão educativa, social e cultural.

A Magna Assembleia constitutiva aconteceu por volta das 17:50 e foram escolhidas as pessoas que vão dirigir os 4 Órgãos do Clube:

Mesa da Assembleia Geral
Presidente - José Freitas
Vice- Presidente - Emanuel Spencer
Secretária - Eunice Vieira


Direção:
Presidente – José J. Cabral
Vice-Presidente – Francisco Spencer
Tesoureiro – Hipólito Brito
Primeiro Voga . Carlos Silva
Segundo Vogal – Bertelina Brito

Conselho Executivo:
Presidente – Joaquim Pinheiro
Primeiro Vogal – Teófilo Figueiredo
Segundo Vogal – Elina Santos
 
Conselho Fiscal:
Presidente – Amilcar Gonçalves
Primeiro Vogal – José Almeida
Segundo Vogal – Manuel Freitas.

 


D) Conselho Fiscal:
Presidente - Amílcar Gonçalves
Primeiro Vogal - José Almeida
Segundo Vogal - Manuel Freitas

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

O SEMINÁRIO-LICEU DA ILHA DE SÃO NICOLAU DE CABO VERDE

Imagem: lantuna.blogspot.com
A História da sua fundação e o papel preponderante por ele exercido na civilização de Cabo Verde.
 
 O Seminário-Liceu de S. Nicolau foi fundado em 1866 e encerrado em 1931 para albergar os deportados da metrópole, em consequência da Revolução da Madeira, iniciada em Abril de 1931.
À elevação de Cabo Verde a bispado em 1533, devia naturalmente à ideia de se fundar um estabelecimento de ensino secundário para a instrução do Clero.

Assim, por uma carta Régia de 12 de Janeiro de 1570, determinava a criação de um Seminário na Vila da Ribeira Grande de Santiago. Mas a régia carta ficou letra morta, a despeito dos esforços empregados pelo então bispo de Cabo Verde, D. Francisco da Cruz. As ideias foram caindo sem que o Seminário  se efetivasse.

Passaram-se anos e anos. A ideia que felizmente ficara de pé tomou vulto e seguiu outra determinação no mesmo sentido em 1824. D. Jerónimo do Barco, o então bispo da diocese,  fez o possível para a realização de tão louvável  ideia, já se encarregando ele mesmo de dirigir as obras do edifício seminarial , cujos fundamentos foram por ele lançados. Mas estava escrito que não era ainda que desta vez, e nem na Ilha de Santiago que havia de surgir o “farol” que vinha “iluminar” esta terra espiritana.

Eleito deputado, D. Jerónimo Barco retirou-se para Lisboa, ficando paradas as obras da edificação, a que  se havia devotado. Muito distante vinha o ano imorredoiro em que o tal “farol” se havia de erguer em Cabo Verde. Efetivamente, só 40 anos depois é que, por Decreto Lei de 3 de Setembro de 1866, se ergueu na ilha de São Nicolau o tão desejado “farol” – o Seminário Liceu que “rasgou fundamente as trevas da ignorância em que os cabo-verdianos viviam imersos”.

É certo que já estavam lançados os fundamentos do ensino primário oficial com a criação de algumas escolas “de primeiras letras”, e funcionava uma escola primária superior na Cidade da Praia. Mas aquele ensino limitava-se a muito poucas escolas, que permaneciam quase sempre fechada por falta de mestres e material didascálico e, por isso, escola principal não tinha alunos, ou como escreveu o escritor cabo-verdiano João Augusto Martins, a escola “andava às moscas”.

Quando começou a funcionar o Seminário, cujo fim principal era formar eclesiásticos para a evangelização do arquipélago de Cabo Verde. Mas, cada padre ao ser enviado para a respetiva paróquia a preparação para, a par da doutrina cristã, ministrar os primórdios de instrução primária.

Foi ao calor da vivificante da suave luz da fé e moral cristã, misturado com beneficentes  luz do “a, b, c” de que eram portadores os padres saídos do Seminário de São Nicolau que mais se formou e de todo se depurou o carácter franco, leal pacífico e hospitaleiro dos cabo-verdianos. Mas o Seminário que também era liceu preparava igualmente para uma vida civil e nesta qualidade aleitou ao seu urbe seio filhos de cá e de lá fora que se formaram nos diversos ramos da atividade humana, sobretudo nas letras, na burocracia e no magistério.

A fundação do Seminário-Liceu é dos acontecimentos mais felizes da história de Cabo Verde, portanto é dele que partiu a “luz que mais intensamente iluminou Cabo Verde”.

Falando do Seminário-Liceu, como referiu o escritor acima citado na sua obra Madeira, Cabo Verde e Guiné, “o Seminário-Liceu de São Nicolau e a Escola Central da Praia constituíam os únicos focos da instrução de carácter superior em Cabo Verde. A Escola Central, porém às moscas […]. Do Seminário-Liceu  não se pode dizer o mesmo. Vê-se e enumera-se, hoje, um grande número de “filhos da província”, em todas as classe e profissões liberais, que receberam ali os elementos de uma instrução cotável em toda a parte” (p. 152).

Efetivamente, quem, senão o Seminário-Liceu de São Nicolau, formou famosos talentos  - prosadores brilhantes, uns poetas distintos dos outros – tais como José Lopes, Corsino Lopes, Miguel Monteiro, Porfírio Tavares, Pedro Monteiro, Silva Araújo, Costa Teixeira, Duarte da Graça, Lopes Cardoso, Marques Lopes, Pedro Delgado e Tertuliano  Ramos? Filho do Seminário foram ainda os “esperançosos moços”, cujos nomes também se regista na história da literatura cabo-verdiana – Barbosa Ferreira, Barreto de Carvalho, Francisco Duarte, José Calangans, Lela Lopes, Mário Pinto e outros tantos. A ação educativa do Seminário-Liceu foi decisiva na civilização cabo-verdiana.

Contudo, foi o Seminário já extinto e contra essa extinção que representou “um gravíssimo erro administrativo”. Houve vário protestos por parte dos cabo-verdianos. Como notou o ex-professor do Liceu Infante D. Henrique  José dos Reis Borges, “infelizmente,  as ondas do Atlântico abafaram as vozes dos que protestaram na imprensa cabo-verdiana, mas o eco chegou ao poder central” em Lisboa.