quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O Majestoso Vale da Ribeira Prata e Fragata


É, sem dúvida, um dos mais lindos e encantadores lugares da ilha de São Nicolau e, talvez, de Cabo Verde. Dotado de rara beleza natural é, igualmente, detentor de potencialidades agrícola e pecuária. Forma duas localidades propiciadoras do desenvolvimento do turismo rural: Fragata e Ribeira Prata.

O vale foi, no passado, atulhado de camarão em todo o seu leito, enquanto no mesmo corria água em abundância. Desse passado resta ainda a fartura de muitos produtos da terra, em especial das frutas de época como a manga, faiscando as maduras, nas mangueiras mais frondosas que se evidenciam ao deixarmos a fronteira da Ribeira Prata e entrarmos Fragata adentro. Nas duas localidades um cheiro característico envolve o viajante ao aproximar-se, na sua jornada, dos trapiches laborando.
Quando estão estes engenhos em atividade, não falta a espirituosa bebida de especial aroma, o grogue de S. Nicolau, aí produzido em excelente qualidade, geralmente oferecida, sempre com gentileza ao passante, num gesto generoso, próprio das gentes das duas aldeias.

Ribeira Prata destaca-se por ser a terra de mitos e da célebre morna “Mambia” e, ainda, depositária da famosa “Rotcha Scribida”. É, igualmente, detentora de gente com apetência especial para a execução de instrumentos de corda. Na época de “Azágua”, para ali dirigem-se robustas torrentes de água, após fortes chuvas, atingindo milhares e milhares de toneladas desse líquido. O caudal junta-se a partir das múltiplas linhas de água que se vão formando desde as ribeiras mais estreitas da outra localidade do Vale – Fragata. O impressionante caudal de água passa todos os anos pelas duas localidade atingindo mais força na Ribeira Prata. Ao correr, em direção ao mar, apresenta-se como um espetáculo que arrepia qualquer observador. Deixa, no fundo do vale, imensas pedras prateadas do salitre que carrega, conferindo assim o nome à ribeira, na sua parta mais baixa.
Sobre Fragata, fala-se, em especial, da sua gente simples e laboriosa. Destaca-se na mesma localidade o verde das abundantes propriedades de regadio bem como as sinuosas vias que desafiam, permanentemente, o amante da caminhada. Também ali, caprichosas rochas, parecem querer rasgar os céus. Topo Matinho, o segundo ponto mais alto da ilha, é o exemplo mais acabado desta realidade. Famosa também foi a Ladeira de Mancebo desta localidade que tinha 48 voltas, transformadas em 48 cantos ou “cotovelos”, que restaram da destruição causada pelas enxurradas de 2009, e cuja presença ainda goza com a inércia dos poderes do Estado independente em não poder repor aquilo que a autoridade colonial construiu. A meio desta ladeira, surpreende ao viajante, o encontro com o chamado “Pé de Deus”, uma imagem lavrada em rocha viva, parecendo uma gigante sola de pé.
Texto gentilmente cedido pelo Prof. DOUTOR Lourenço Gomes.

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